Morreu 24 de agosto de 1888 aos 66 anos (nascido em 02 de janeiro de 1822).
Foi um dos fundadores da termodinâmica. Em 1850, ele declarou a segunda lei da termodinâmica.
Como um físico teórico, ele desenvolveu trabalhos também na física molecular e eletricidade. Em seu trabalho publicado em termodinâmica (1865), ele formulou a Primeira e Segunda Leis da Termodinâmica da seguinte forma:
(1) A energia do universo é constante.
(2) a entropia do universo tende para um máximo.
Em todos Clausius escreveu oito documentos importantes sobre o tema.
Ele reafirmou o princípio de Sadi Carnot da eficiência dos motores térmicos.
A equação de Clausius-Clapeyron que expressa a relação entre a pressão e a temperatura a que duas fases de uma substância estão em equilíbrio.
A investigação, da autoria de António Pinto-Duarte e de um grupo de cientistas, mostra como a perda de um receptor pode estar relacionado com desordens a nível do desenvolvimento neural.
O cientista português António Pinto-Duarte é um dos autores de um estudo publicado esta semana que identifica um recetor que pode causar doenças como a esquizofrenia e o autismo. O estudo é responsabilidade de um grupo misto de cientistas do Instituto Salk e do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia e foi publicado na Molecular Psychiatry, considerada a melhor revista especializada na área da psiquiatria.
A investigação mostra como a perda de um recetor, chamado “mGluR5”, numa classe específica de neurónios inibidores, pode estar relacionado com desordens a nível do desenvolvimento neural. “Descobrimos que a perda de um recetor de glutamato, um dos principais neurotransmissores no cérebro, numa classe específica de neurónios conduz a perturbações significativas do desenvolvimento do sistema nervosa”, explicou o cientista português à Lusa.
Pinto-Duarte diz que “tais defeitos incluíam comportamentos repetitivos e problemas de socialização”. “Esta descoberta permitiu, também, reforçar a ideia de que a configuração da rede neuronal pode ser afetada no período pós-Natal, e não apenas durante a gravidez, confirmando a particular vulnerabilidade e suscetibilidade desse período”, acrescentou.
O cientista garante que esta descoberta é relevante porque existe a possibilidade de reverter a estrutura molecular, permitindo explorar a possibilidade de novas terapias. “É relevante, não apenas por identificar um novo alvo terapêutico, mas também por servir de motivação a estudos futuros que possam conduzir a que esse défice possa ser, eventualmente, compensado através de estratégias farmacológicas ou por terapia genética”, garante.
Pinto-Duarte sublinha que serão necessários mais estudos para confirmar de forma contundente a ligação dos recetores, mas que “tal abriria portas a eliminar, ou pelo menos minimizar deficiências comportamentais que muitas vezes afetam de forma significativa a vida dos indivíduos e a sua normal integração na sociedade.”
O investigador português é um dos três primeiros autores do estudo, que foi coordenado pelos autores Terrence Sejnowski e Margarita Beherens do Instituto Salk, e Athina Markou, da Universidade da Califórnia de San Diego.
A empresa canadiana que desenhou o elevador de 20 quilômetros que pretende facilitar o envio de astronautas para o espaço, viu concedida as patentes da tecnologia nos Estados Unidos e Reino Unido.
Lançar um foguetão da superfície da Terra até à Estação Espacial Internacional requer não só muito combustível como muito material – aquele que se vai perdendo pelo caminho para dar mais impulso ao foguetão à medida que atravessa as camadas de atmosfera. Lançar os astronautas de uma torre a 20 quilómetros de altura poderia não só ser mais barato como mais fácil.
Pelo menos essa é a ideia da empresa canadiana Thoth Technology que desenhou um elevador com esse objetivo e que agora conseguiu as patentes nos Estados Unidos e no Reino Unido.
“Os astronautas subiriam até aos 20 quilômetros num elevador elétrico. Do topo da torre, os aviões espaciais seriam lançados em órbita numa única etapa e regressariam ao topo da torre para reabastecimento e novo voo”, disse Brendan Quine, o inventor da torre, citado pelo Guardian. “Neste conceito, ascendemos eletricamente e removemos toda a fase de lançamento vertical [do foguetão]. Depois entra-se no avião espacial, que é como um avião de passageiros a jato, que descola na horizontal.”
Para uma torre daquela dimensão se manter tem de ser pneumaticamente pressurizada (com ar comprimido) e controlada a partir da base, refere a empresa, que pretende ainda que o edifício do elevador sirva como torre de comunicações, que produza eletricidade a partir do vento e que possa receber turistas.
O código do software que possibilita ao físico Stephen Hawking falar através de um computador foi aberto ao público na internet por sua criadora, a Intel.
O programa, que agora também pode ser baixado gratuitamente por qualquer um, interpreta sinais visuais e os traduz em palavras, que são então "faladas" por uma voz sintetizada.
A Intel desenvolveu o programa, originalmente, especialmente para Hawking, mas ela já foi usada por outros afetados por doenças do neurônio motor (que afetam as células que controlam a atividade muscular).
A Intel espera que o ACAT, que roda no Microsoft Windows 7 e versões superiores, possa ser aperfeiçoado por pesquisadores que desenvolvem novas interfaces para pessoas que sofrem de doenças como a ELA (esclerose lateral amiotrófica), que afeta a Hawking.
O programa e o código-fonte completo foram publicados no site de compartilhamento de programação GitHub.
Escolha de sensor
A Intel experimentou diversos sensores para desenvolver o programa usado por Hawking
A Intel disse à BBC que o software pode executar outras funções além de enviar textos para um sintetizador de fala.
"Temos menus para acessar diferentes partes do computador", disse Lama Nachman, engenheira-chefe. "Se você quer usar o Word, navegar na internet e falar você pode usar o ACAT para isso."
Ela acrescentou que a equipe testou diversos sensores, e que esperam que os desenvolvedores tentem outras opções adequadas às necessidades e habilidades de cada paciente.
"Também temos um sensor [de movimento] chamado acelerômetro para pacientes que conseguem usar apenas o dedo, e um sistema de botão para quem consegue apertar botões", disse ela.
A Associação de Doenças do Neurônio Motor (MND Association) do Reino Unido elogiou a iniciativa da Intel.
Papel e caneta
"Ajudar a manter a comunicação de uma pessoa com esta doença pode ser simples como usar papel e caneta. Mas, à medida que a doença avança, as pessoas muitas vezes perdem o uso das mãos também", disse Karen Pearce, diretora de assistência da MND Association.
"É aí que a tecnologia de ponta AAC (Comunicação Ampliada e Alternativa, que auxilia pessoas com dificuldades) pode ajudar, mas é vital que terapeutas de discurso e linguagem avaliem as melhores opções para as famílias."
"Vai ser empolgante ver como vai funcionar essa abordagem de código aberto", diz.
A "AAC é uma parte fundamental da minha vida. Ao contrário de pesquisas médicas, a tecnologia está avançando muito rapidamente, e é animador ver novas coisas surgindo todos os anos", disse Euan MacDonald, que sofre de doença do neurônio motor e faz avaliações sobre acesso para deficientes no site Euan's Guide.
"Quanto mais tecnologias que nos ajudem a expressar o que pensamos, melhor", disse.
A sonda Cassini, que conseguiu chegar até Saturno, enviou nesta semana suas últimas fotos de uma das luas do planeta gigantesco e gasoso, Dione.
A Cassini passou a 500 quilômetros da superfície de Dione na segunda-feira e esse foi o quinto encontro do tipo que a sonda realizou em sua missão de 11 anos ao planeta dos anéis.
Agora, a sonda está envolvida em uma série de últimas observações. Em 2017, a Cassini vai realizar um mergulho na atmosfera de Saturno, o que resultará em sua destruição.
"Fico emocionada, e sei que todo mundo fica, ao olhar para essas imagens extraordinárias da superfície e do crescente de Dione, sabendo que elas serão as últimas que veremos deste mundo distante durante muito tempo", disse Carolyn Porco, que lidera a equipe de especialistas em imagens da missão.
"Até o fim, a Cassini entregou fidedignamente outra série de riquezas. Como tivemos sorte", acrescentou.
A Cassini chegou mais perto de Dione em 2011, quando a missão passou a apenas 100 quilômetros acima da superfície do corpo celeste.
Dione tem um diâmetro de 1.122 quilômetros, um exterior coberto de gelo e interior rochoso.
A sonda, que é uma missão conjunta das agências espaciais europeia, americana e italiana, detectou uma fina atmosfera de oxigênio e também observou sinais de que esta ainda pode estar ativa.
Anéis e na atmosfera
No ano que vem, a Cassini deve ir em direção aos anéis de Saturno
No próximo ano, a Cassini vai iniciar uma série de manobras para colocar-se em órbitas acima e através dos anéis de Saturno.
E então, em 2017, uma vez que o combustível da Cassini tenha se esgotado, os controladores de solo da missão vão enviar comandos para que a sonda mergulhe na atmosfera do planeta, onde será destruída.
Quanto mais perto a Cassini chegar de Saturno, mais a sonda vai esquentar, a ponto até de derreter e, no final, ser destruída pela alta pressão.
Esse plano de destruição da sonda visa não afetar com destroços as luas de Enceladus e Titã. Ambas foram apontadas como possíveis focos de vida extraterrestre, e cientistas não querem que essas formas de vida, caso existam, sejam contaminadas por micróbios da Terra que ainda estejam na sonda - mesmo que isso seja muito improvável.
Nos próximos meses, a Cassini vai passar pela última vez por várias luas.
"Considere isso como o começo do Longo Adeus", disse Carolyn Porco, referindo-se à passagem da sonda pela Dione, na segunda-feira.
E, no momento, não há preparativos para nenhuma outra missão para o sistema de Saturno.
A única missão para outro planeta que está prevista é para Júpiter. Os Estados Unidos vão enviar a sonda Juno no ano que vem e o satélite Juice, da Europa, deve ser enviado em 2030.
Poderão ser necessárias décadas antes de outra missão conseguir imagens tão boasCassini estava a cerca de 970 quilômetros da superfície quando capturou esta imagem
Cientistas nos Estados Unidos conseguiram criar nanofibras de carbono a partir de dióxido de carbono (CO2) extraído do ar ─ e dizem que o processo poderia até ajudar a combater a mudança do clima.
O método apresentado nesta semana em um encontro da Sociedade Americana de Química, em Boston, é capaz de produzir 10g por hora das valiosas fibras.
Mesmo se as potenciais aplicações no combate às emissões de CO2 não derem frutos, como suspeitam alguns especialistas, a técnica promete baratear a produção de nanofibras de carbono.
O sistema é alimentado por poucos volts gerados por energia solar. A eletricidade atravessa um tanque cheio de sal derretido, à medida que o CO2 é absorvido, as valiosas nanofibras começam a se formar ao redor dos eletrodos.
"Até hoje, nanofibras de carbono são caras demais para muitas aplicações", disse à BBC o professor Stuart Licht, da universidade George Washington.
Redução de custos
O material é usado atualmente na produção de componentes eletrônicos e baterias, mas se fosse mais barato, poderia reforçar materiais usados na fabricação de peças de avião e carro, entre outros.
A questão é se o sistema criado pela equipe do professor Licht será capaz de reduzir estes custos.
O método teria o potencial de ser aplicado em larga escala, segundo o autor
O cientista diz que aumentar a produção seria fácil, e que o equipamento consome pouca energia.
A maior promessa, porém, é a possibilidade de usar o sistema para reduzir os níveis de CO2 na atmosfera, considerados os culpados pelo aquecimento global pela grande maioria dos cientistas.
Para isso, seria necessário construir enormes reatores ─ algo que suscita o ceticismo de especialistas.
"Como estão capturando CO2 do ar, o processo precisa lidar com enormes volumes de gás para coletar a quantidade necessária de carbono, o que, em grande escala, pode aumentar o custo do processo", afirmou a engenheira química Katy Armstrong, da universidade de Sheffield.
Outro que levanta dúvidas sobre a viabilidade da ideia é o pesquisador da Imperial College London Paul Fennell.
"Se o objetivo deles é fazer nanofibras, é louvável, e vão ter um produto que vale a pena. Mas se a sua ideia é tirar CO2 da atmosfera e produzir uma quantidade de nanofibras suficiente para fazer diferença na mudança climática, eu ficaria muito surpreso se conseguir", afirmou Fennell.
As nanofibras se cristalizam em torno de eletrodos no experimento do grupo de Licht
O professor Licht, no entanto, diz que vai ser preciso trabalhar conjuntamente, com recursos da sociedade, para testar o processo em larga escala.
"Não tem pegadinha", afirmou.
De toda forma, outros químicos ficaram impressionados com o simples fato de a equipe do professor Licht ter produzido nanofibras a partir do carbono atmosférico.
Como o maior animal que já passou por este planeta, é natural que a baleia-azul (Balaenoptera musculus) também seja uma recordista no tamanho de seus órgãos internos.
E a dificuldade dos cientistas de encontrar espécies intactas deu origem a uma série de "fábulas", como a de que o coração do animal seria do tamanho de um carro ou que sua aorta (a principal artéria) seria tão grande, que um homem poderia nadar dentro dela.
Por isso, quando uma baleia-azul apareceu morta no litoral de Newfoundland, no Canadá, especialistas viram ali uma oportunidade valiosa.
Uma equipe do Museu Real de Ontário (ROM, na sigla em inglês) foi enviada para dissecar o mamífero de 23,3 metros de comprimento, que morreu após ficar preso sob uma camada de gelo.
'Quatro pessoas para empurrar'
Com 180 quilos, órgão precisou de quatro pessoas para ser removido de animal morto
"Tivemos que abrir a cavidade peitoral para expor o coração, e em seguida entrar nela e livrar o órgão de todos os tecidos em volta. Eu me enfiei até a cintura no que restou dos pulmões e do sangue", conta Jacqueline Miller, técnica em mastozoologia do ROM.
"Precisamos de quatro pessoas para empurrar o coração através de uma 'janela' que abrimos entre as costelas e a lateral da cavidade peitoral", lembra. "Eu esperava encontrar um órgão do tamanho de um carro. Mas acho que esse coração tem o mesmo tamanho de um desses carrinhos de golfe."
A aorta também pareceu um pouco menor do que se acreditava, com espaço suficiente para caber uma cabeça humana.
Pesando saudáveis 180 quilos, o coração teve de ser banhado em cerca de 3,8 mil litros de formaldeído para evitar sua rápida decomposição e para começar o processo de preservação.
Material será exibido para visitantes do Museu Real de Ontário, em Toronto
"Até onde sabemos, este é o primeiro coração de baleia-azul a ser anatomicamente conservado para estudo e para ser exposto. As pessoas têm uma curiosidade em saber o tamanho e ver se o órgão é estruturalmente semelhante ao nosso", explica Miller.
O coração da baleia será exibido no museu em Toronto junto com seu esqueleto.
A equipe também está trabalhando com especialistas em anatomia da Lincoln Memorial University, nos Estados Unidos, para catalogar a baleia.
"A baleia-azul representa o limite máximo de tamanho e fisiologia de um ser vivo, e seu comportamento e tolerância fisiológica variam de acordo com isso", diz a cientista canadense.
A criação do sistema métrico foi um ato revolucionário. No final do século XVIII, a França vivia uma situação caótica. Praticamente não havia leis - a confusão reinava em todos os setores, fato de que se aproveitavam os poderosos para oprimir os menos favorecidos.
Uma das formas de opressão devia-se à inexistência de um padrão único de medida. Isso possibilitava o uso de padrões de medidas diferentes, um para comprar, outro para vender; um para pagar, outro para receber. As classes dominantes usavam e abusavam da perversa prática de "dois pesos e duas medidas".
Por essa razão, no início da Revolução Francesa, em 1790, um decreto da Assembleia Constituinte, que assumiu o poder com a queda da monarquia, exigiu da Academia de Ciências da França a criação de padrões únicos de massa e comprimento. O padrão escolhido para o comprimento foi a quadragésima milionésima parte do meridiano terrestre - circunferência da Terra que passa pelos pólos. Essa medida foi materializada numa barra padrão de platina e recebeu o nome de metro.
O sistema métrico foi oficializado na França com a lei de 19 frimário do ano VIII, ou seja, 10 de dezembro de 1799 - a Revolução Francesa também alterou o calendário. Incluía também a unidade de massa, o grama, definido como a massa de água destilada a 4ºC - temperatura em que a água tem maior densidade - contida em um centímetro cúbico, unidade de volume derivada do metro.
A demora no estabelecimento do metro se deve à dificuldade de efetivar, na prática, a medida exigida pela definição do padrão escolhido. A medida do meridiano da Terra com a precisão exigida era, na época, muito difícil.
É bem provável que essa escolha tenha sido propositalmente complicada para demorar muito tempo, amainando o ardor dos primeiros tempos revolucionários.
A maior parte dos membros da Academia de Ciências estava comprometida com o velho regime e seus membros temiam, com razão, a guilhotina.
O lento e complexo trabalho para criar esse padrão e a necessidade da Revolução de obtê-lo foram o salvo-conduto de grande parte dos membros da academia durante quase dez anos.
A medida do meridiano terrestre
Durante sete anos, entre 1792 e 1799, os astrônomos Píerre Méchain e Jean-Baptiste Delambre, membros da Academia de Ciências da França, mediram a distância entre Barcelona, na Espanha (longitude 2º 10' leste) e Dunquerque, na França (longitude T 20' leste).
A partir dessa distância - medida do arco de um meridiano da Terra - e do correspondente ângulo central, deduziram o comprimento do meridiano. Para a medida do ângulo central utilizam-se instrumentos e técnicas astronômicas, por isso a tarefa foi atribuída a dois astrônomos.
Observe que as cidades têm longitudes diferentes. Por isso o ponto de partida não foi Barcelona, mas uma localidade próxima chamada Mont Jouy.
O meridiano terrestre escolhido peja Academia de Ciências da França para a definição do metro.
O luto tem diferentes fases, como a negação, a depressão e a aceitação
O ex-funcionário continua destilando palavras de ódio contra a empresa meses após ser demitido. O filho fica sem ação ao receber a notícia da morte da mãe. O namorado traído não consegue se envolver em um novo relacionamento. Todas essas situações fictícias envolvem experiências de perdas. E quem passa por algo parecido vivencia exatamente o mesmo processo psicológico: a vivência do luto.
O luto, ao contrário do que se imagina, não faz referência apenas à reação que se tem diante da morte de alguém querido. "O luto é um processo relacionado a todas as perdas significativas que sofremos", diz a psicóloga Elaine Gomes dos Reis Alves, professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos Sobre a Morte, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo). Ela explica que essas privações podem ocorrer tanto no plano concreto –quando ocorre a perda de um emprego, por exemplo– quanto no simbólico –quando "morre" a figura idealizada da namorada.
Segundo Gabriela Casellato, psicóloga pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e cofundadora do Instituto de Psicologia 4 Estações, instituição particular na capital paulista, o luto se apresenta como um conjunto de reações associadas à perda. "Na esfera física, podem surgir fadiga, queda de resistência imunológica e alterações de sono, alimentação, atenção e concentração. As alterações emocionais incluem tristeza, angústia, ansiedade, raiva, medo e insegurança. Também pode ocorrer isolamento social ou, ao contrário, a necessidade de falar continuamente sobre a perda. Há, ainda, pessoas que têm a fé abalada nessas situações, que perdem a esperança e questionam valores antes arraigados", diz Gabriela.
De fato, cada pessoa pode reagir de maneira diferente a uma perda que, para ela, tenha um valor importante. Mas, na década de 1960, uma psicóloga suíça chamada Elisabeth Kübler-Ross (1926-2004) descreveu cinco fases que, de maneira geral, compõem o processo do luto:
- Negação: a pessoa tenta negar a existência do problema ou situação e, às vezes, evita até falar sobre o assunto. "Isso não pode ser verdade!", pensa.
- Raiva: é comum aparecer revolta e ressentimento quando a pessoa se dá conta da perda. "Por que eu?" é o pensamento recorrente.
- Negociação: quando a hipótese da perda começa a se concretizar, é comum que a pessoa tente reverter a situação tentando um acordo consigo, com outra pessoa ou divindade.
- Depressão: ocorre quando a pessoa toma consciência de que a perda é inevitável. Tristeza, desolação, apatia e medo são sentimentos comuns nessa fase. Não deve ser confundida com a doença diagnosticada como depressão, que envolve um desequilíbrio químico e tratamento específico. Por isso, a psicóloga Elaine prefere usar o termo "tristeza".
- Aceitação: é a fase em que pessoa aprende a viver sem aquilo que perdeu. Não significa esquecer ou não sentir mais tristeza ao se lembrar do fato. "Um pai nunca vai aceitar a morte de um filho", exemplifica a psicóloga Elaine. Nesse contexto, aceitar é apenas conseguir continuar tocando a vida. ************************************************************ Forte abraço,